Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta citações

"Estrutura do fait-divers", Roland Barthes, em Ensaios Críticos (1964)

Imagem
“Eis um assassinato: se é político, é uma informação, se não é, é um fait-divers. Porquê? Pode-se pensar que a diferença aqui é entre o particular e o geral, ou mais exatamente, a do nomeado e do inominado: o fait-divers (a palavra ao menos parece indicá-lo) procederia de uma classificação do inclassificável, seria o refugo desordenado das notícias informes; sua essência seria privativa, ele só começaria a existir onde o mundo deixasse de ser nomeado, sujeito a um catálogo conhecido (política, economia, guerras, entretenimento, ciência, etc.); numa palavra, seria uma informação monstruosa, análoga a todos os factos excecionais ou insignificantes, enfim, inomináveis, geralmente classificados pudicamente sob a rubrica dos  Varia , como o ornitorrinco que deu tanta preocupação ao infeliz Lineu. Esta definição taxonómica obviamente não é satisfatória: ela não conta a extraordinária promoção do fait-divers na imprensa de hoje (além disso, começa-se a chamá-lo mais nobremente de informaç...

Ford Mustang 1967

Imagem
“Se o dinheiro for a sua esperança de independência, você jamais a terá. A única segurança verdadeira consiste numa reserva de conhecimento, de experiência e de competência.” Henry Ford Foto: Tiffany Tatum , tcc Enzio Ricci, 1,65 m, 52 kg, 86-58-86, sapatos 36, olhos azuis, cabelos loiros, nascida a 14 de agosto de 1997 em Budapeste.

A pose fixa

Imagem
"A tradicional e habitual ideologia defensiva da burguesia é o idealizar: os crassos antagonismos, os berrantes horrores da sociedade capitalista devem ser trazidos, numa forma intelectual ou artística, ao desaparecimento. Isto faz, há mais de um século, a começar com a filosofia académica, toda ciência e arte ajustadas à apologia. Esta orientação atingiu a sua forma mais crassa nos filmes de Hollywood, mas frequentemente também a filosofia de cátedra não é outra coisa além de um filme-de-final-feliz, trazida numa forma conceptual. Ao lado da realidade terrível das últimas décadas, o puro idealizar manifestou-se, no entanto, como demasiadamente fraco, ineficaz. Pelo menos para os círculos pensantes da intelligentsia burguesa; tornou-se impossível retirar, do olhar deles, os factos perturbadores da vida social, fazê-los desaparecer, por meio de um retoque, através de meios tão simples. Em que consiste, então, sob tais circunstâncias, a dificuldade para a ideologia apologética b...

As crianças

Imagem
Duas desgraças abateu a sociedade moderna sobre as crianças. A sua sexualização, com vista aos lucros irrecusáveis da indústria da publicidade (ou do entretenimento), que não estabelece limite laboral de idade, na qual o trabalho infantil não é crime, e é inclusive consensualmente arrogado como fofinho.   E a inculcação de papéis sociais estereotipados. Uma menina é uma menina, um menino é um menino, quando a moderna ciência mandou essa bafienta opinião às urtigas. A fecundação já não determina o género, após a saída da vagina, a crianças escolhe o seu sexo consoante as suas perspetivas de emprego. É o charme indiscreto da burguesia que trava a implantação da sociedade perfeita que habita nas mentes ilustradas da sociedade atual. Mormente, da esquerda crochet, aqueles que, do sofá, tecem iluminados raciocínios, ou da esquerda venérea, aquela que, maravilhada com novas sexualidades, trocou a economia, como infraestrutura, pelos brinquedos sexuais, como a ventura. “Não, camaradas...